Faz um teste no próximo hotel em que você se hospedar. Liga a TV do quarto e conta quantos canais da grade você realmente assistiria.

A resposta quase sempre é nenhum. O hóspede passa pela grade em trinta segundos e vai procurar o botão do streaming. Quando não acha, assiste no celular, deitado, com uma TV de 50 polegadas desligada na frente dele.

E o hotel continua pagando, todo mês, a TV por assinatura daquele quarto.

A TV a cabo está saindo da casa das pessoas

O Brasil chegou a ter 19,6 milhões de pontos de TV por assinatura em 2014. No fim de 2025 eram 7,6 milhões, segundo a Anatel. Só no ano passado foram embora 1,6 milhão de clientes, e a base voltou ao tamanho que tinha em 2009.

As pessoas não pararam de ver televisão. Pararam de ver televisão do jeito que a operadora entrega.

O hóspede que chega ao seu hotel é essa pessoa. Em casa ele assiste Netflix, YouTube, Globoplay, e quando entra no quarto espera encontrar a mesma coisa.

A tela do quarto continua importante

Tem uma conclusão errada que dá para tirar desses números: a de que a TV do quarto deixou de importar e pode ficar só com a TV aberta.

A TV a cabo está morrendo. A tela do quarto, não. Ela ainda é a maior tela que o hóspede vai ver durante a estadia, ligada no começo da noite e de manhã, enquanto ele se arruma. O que mudou foi o que ele quer ver nela.

Quem resolve isso só trocando o contrato de cabo por uma smart TV comum ganha outro problema. O hóspede entra com a conta dele da Netflix, faz check-out e esquece. O próximo abre a TV no perfil do anterior, com histórico e tudo. Com a LGPD, isso deixa de ser descuido do hóspede e vira problema do hotel.

Duas redes dentro da mesma parede

Essa é a parte que quase ninguém conecta.

Na maioria dos hotéis, a TV chega ao quarto por uma rede de cabo coaxial. A internet chega por outra, de cabo de rede, até um ponto de Wi-Fi que costuma ficar no corredor. São duas infraestruturas paralelas, com dois tipos de manutenção e dois tipos de defeito.

O coaxial perde sinal com a distância e a cada divisão. Num prédio de muitos andares, isso significa amplificador no meio do caminho e imagem pior no fim do corredor.

E o Wi-Fi do corredor precisa atravessar porta, parede e às vezes o banheiro para chegar à cama, que é justamente onde o hóspede usa a internet.

Uma fibra para as duas coisas

GPON é uma rede de fibra óptica. É a mesma tecnologia que as operadoras usam para levar fibra até a casa das pessoas, aplicada dentro do hotel. A fibra chega a cada apartamento, e cada apartamento tem o seu próprio terminal óptico, a ONT. Por ela passa tudo que anda em rede: internet, TV, telefone.

A gente leva os canais pela mesma fibra. Instalamos os canais locais e, se o hotel tem contrato com uma operadora, levamos o sinal dela junto. O hotel deixa de manter duas redes. Sai o coaxial, saem os amplificadores, e a imagem chega igual no primeiro e no último andar, porque a fibra não perde qualidade com a distância como o cabo de cobre perde.

A parte do Wi-Fi é a que eu mais gosto. A ONT que fica dentro do apartamento já é o ponto de Wi-Fi. O sinal não precisa mais atravessar porta nem parede. Cada quarto tem a sua antena, então o hóspede do 402 não divide sinal com o vizinho que está baixando um arquivo de 4 GB.

Wi-Fi é das reclamações mais comuns em avaliação de hotel. Nesse desenho ele melhora como consequência de uma obra que o hotel faria de qualquer jeito para trocar a TV.

A TV que o hóspede quer ver

Com a rede pronta, a TV do quarto vira um sistema de verdade. O HXP TV, nossa TV interativa, tem os canais e os streamings que o hóspede usa em casa. Ele entra com a conta dele, e quando o próximo hóspede faz check-in o sistema desconecta tudo sozinho. Ninguém encontra a Netflix de outra pessoa aberta na TV.

A tela inicial é do hotel, com cardápio, room service e os serviços da casa. A TV também pode exibir publicidade de parceiros, e o hotel recebe parte dessa receita todo mês. Integrada ao VEGA Flow, ela ainda controla luz e temperatura do quarto.

Aquela TV que o hóspede ignorava vira o canal mais direto entre o hotel e ele durante a estadia.

Um investimento, dois problemas

A conta que eu sugiro é simples. Quanto o hotel paga hoje de TV por assinatura por quarto? Quanto custa manter a rede de coaxial e a de Wi-Fi separadas? E quantas avaliações dos últimos seis meses falam mal da internet?

Uma rede de fibra resolve a TV e o Wi-Fi na mesma obra. E no modelo da VEGA o hotel não compra o equipamento, paga mensalidade, como eu expliquei em por que o hotel não deveria ser dono dos seus equipamentos de TI.

Mais sobre a rede no Internet & Wi-Fi da VEGA.

Fechando

A TV a cabo vai continuar perdendo assinante, com ou sem o seu hotel. O que dá para escolher é se a saída dela vira só um corte de custo ou a desculpa para resolver o Wi-Fi do quarto de uma vez.

Matheus Quincozes, CEO da VEGA I.T.