O hotel comprou o Wi-Fi há quatro anos. Instalou, funcionou no dia da entrega e ficou assim. Ninguém atualizou o firmware. Ninguém reviu a configuração quando o número de dispositivos dobrou. E quando os hóspedes começaram a reclamar na recepção, o técnico chegou, olhou para o rack e disse: esse equipamento está obsoleto, vai precisar trocar tudo.

Aí vem a conta. Quarenta, sessenta, oitenta mil reais em hardware novo. Além da instalação. Além do prazo de espera. No meio da temporada.

Isso não é azar. É o modelo.

A maioria dos hotéis ainda compra infraestrutura de TI da mesma forma que compra móveis: paga uma vez, assume a posse e reza para durar. O problema é que móvel não precisa de atualização de firmware nem de monitoramento em tempo real. Switch sim.

A primeira vantagem do modelo de Hardware como Serviço, o HaaS, é a que todo mundo cita: sem investimento inicial. Sem capex. O hotel preserva o capital para o que importa dentro do negócio hoteleiro, seja reforma de UHs, treinamento de equipe ou simplesmente fôlego de caixa.

Mas o impacto vai além do balanço patrimonial. Quando o hotel compra um equipamento, ele assume uma responsabilidade que nunca estava no plano de negócio: manter aquele ativo funcionando, obsoleto ou não, até o fim da vida útil contábil. Na prática, isso significa que em 2028 o hotel pode estar rodando numa infraestrutura comprada em 2022 porque o CFO não vai aprovar mais uma linha de capex em TI tão cedo.

Com HaaS, o ciclo de atualização já está dentro do contrato. O hotel não precisa prever, priorizar nem justificar internamente a troca de um access point. Isso não é responsabilidade da operação.

Quando um hóspede reclama do Wi-Fi, quase sempre a culpa não é da operadora. É da infraestrutura interna: access points mal posicionados, firmware que nunca foi atualizado, configuração que ninguém revisou desde a implantação.

Num modelo de compra tradicional, quem cuida disso? Na maioria dos hotéis: ninguém. O equipamento foi instalado, funcionou no teste de entrega e ficou assim. Sem monitoramento, sem revisão periódica, sem alguém olhando para os logs de performance às 22h quando o restaurante está cheio e a rede trava.

No modelo HaaS, o prestador tem interesse direto em manter o equipamento funcionando bem, porque é o ativo dele. Atualização de firmware, revisão de configuração, substituição proativa de hardware degradado: isso não é serviço extra cobrado à parte, é o modelo.

Esse é o ponto que menos aparece nas comparações financeiras, mas que faz a maior diferença no dia a dia: ter um especialista com responsabilidade real sobre a infraestrutura.

O hotel não precisa contratar um gerente de TI para cuidar de switch, access point e controladora de rede. Não precisa depender do fabricante para descobrir se o equipamento ainda recebe suporte de segurança. Não precisa abrir chamado de garantia e esperar quinze dias por uma peça sobressalente.

Com HaaS, existe um time que conhece a infraestrutura do hotel, sabe o histórico de cada equipamento e age antes que o problema apareça na frente do hóspede. Para o gestor, isso significa uma coisa objetiva: menos surpresas. E surpresa em operação hoteleira quase sempre tem sobrenome de custo.

Gestão hoteleira é planejamento. RevPAR, ocupação, sazonalidade: tudo é projetado, medido, ajustado. A infraestrutura de TI não deveria ser a exceção.

Com hardware próprio, o custo de TI é imprevisível por natureza. Um ano sem problemas, no seguinte um servidor falhando ou um array de discos indo a zero no pico da alta temporada. Com HaaS, o custo é fixo, mensal, previsível. Entra no orçamento como qualquer outro serviço operacional e não aparece como surpresa no DRE de dezembro.

HaaS funciona melhor onde a infraestrutura é crítica para a experiência do hóspede: Wi-Fi, rede estruturada, TV interativa. E faz ainda mais sentido onde o hotel não tem equipe técnica interna para manter o ambiente, ou onde a operação precisa de SLA claro e resposta rápida.

Se o seu hotel está planejando uma renovação tecnológica, ou simplesmente está cansado de resolver problema de TI no meio da operação, vale sentar e revisar esse modelo antes de aprovar mais um investimento em hardware.

O equipamento vai ficar obsoleto de qualquer forma. A questão é quem vai lidar com isso quando acontecer.